sexta-feira, 23 de maio de 2008

Por Celso C. Gomes

Sentimentos do amor
O ódio é meu oposto
Mas sinto muito gosto
Ao derrotá-lo com o olhar
De quem aprendeu a batalhar

Já o medo é meu protegido
Já que depois de perdido
Se transforma em alegria
Que é a minha irmã de cria

Entretanto a inveja é medonha
Não trabalha, é enfadonha
Só enxerga seu direito de ação
Mas não realiza nenhuma obrigação

Da saudade eu guardo tudo
Tirando uma lembrança do fundo
Sei que guardada ela ameniza
A saudade que se enfatiza

Ódio não posso suportar
Medo eu quero proteger
Inveja é sempre enfadonha
E a saudade não me é estranha

Sentimentos do ódio
O amor é chato e tedioso
Com todo aquele jeito meloso
Me irrita esse cara delicado
É pior ainda se está apaixonado

O medo é um ser inanimado
Fracote que vive apavorado
É bom não provocar a fundo
Se não, vira a coragem do mundo

Contudo, a inveja é uma merda
Pior que fita de gente lerda
Só atrapalha o desenvolvimento
Mas é dela que eu me alimento

E a saudade é outra coisa melosa
Sentimento fora de moda e sem prosa
Que não me deixa entrar no coração
Dizendo: dupla personalidade comigo não!

O amor é sempre tedioso
O medo um frangote perigoso
A inveja é uma merda
E a saudade é uma boa perda

Sentimento de inveja
Queria ser todo o amor
Para me deleitar como flor
Sem dar nem um segundo
Pois só eu mereço esse mundo

Odiar é melhor em mim
Só eu sei, isso sim,
Quanto o ódio me serve
Com tudo que o preserve

O medo eu quero sem demora
Quero tudo pra mim agora
Ninguém pode ter essa jóia
Apenas eu mereço a paranóia

Não inventei a saudade mas a quero
Só eu sei dar o valor que dela espero
Quero todinha pra mim e mais ninguém
Só eu posso ter e que todos fiquem sem

O amor eu quero afinado
O ódio é meu aliado
O medo é minha jóia
E a saudade... que paranóia

Sentimento do medo
Amor é algo que tenho receio
Parece meu amigo e nem olha feio
Todo cheio de afeto me dá indecisão
Espero que ele não queira meu coração

Autoritário e rei poderoso
O ódio parece muito corajoso
Ele só para se eu cercá-lo
Mas as vezes nem eu posso pará-lo

Que dizer da estagnada inveja
Tomara que ela não me veja
Atrevida, está em nosso meio
Só pra ser amiga do alheio

Saudade é coisa de corajoso
Senti-la pode ser perigoso
Não me arrisco nesse terreno
A dose pode ser pior que veneno

O amor me deixa receioso
O ódio é um cego perigoso
A inveja quero distância
E a saudade como amante

Sentimento da saudade
O amor é bom de reviver
Traz lembranças que podem doer
Mas é melhor ter do que lembrar
Do que ao esquecimento se forçar

O ódio é bom esquecer sem dó
Mantenha-o longe e bem só
Recordar rancor e perversidade
É a pior maneira de ter saudade

O medo devia se encorajar
Alguns valem apena lembrar
Na "primeira vez" o vemos de frente
Deixando essa lembrança sempre presente

Como posso querer a inveja
Não me importa como ela seja
Já conheço a sua fama medonha
Essa é uma saudade tristonha

Amor é motivo de recordação
O ódio? quero longe essa maldição
O medo pode ter sido um investimento
Pra fugir da inveja e do ser tormento

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